Contexto do fenômeno da violência extrema nas escolas brasileiras

 


Nos últimos anos, o Brasil tem sido palco de uma série de ataques de violência extrema em instituições de ensino, fenômeno que tem chocado a sociedade e levantado questões urgentes sobre segurança, saúde mental e políticas educacionais (IPEA, 2020). Embora o país tenha historicamente enfrentado problemas de violência urbana e criminalidade, a ocorrência de ataques em escolas é uma tendência relativamente nova e perturbadora (ABRAMOVAY, 2002). Os esforços de compreensão e de enfrentamento desta complexa questão também são igualmente recentes e descentralizados, o que explica a existência de diferentes conceitos e quantificação dos casos de ataques no Brasil.

Para os fins do nosso curso, utilizaremos a definição proposta pelo Grupo de Trabalho de Especialistas em Violência nas Escolas, instituído pelo Ministério da Educação, conforme consta em seu Relatório Final, publicado em 2023 (apud curso Recomendações para proteção e segurança no ambiente escolar, AVAMEC): 

O primeiro ataque de violência extrema registrado em uma escola brasileira ocorreu em agosto de 2001 na cidade de Macaúbas, Bahia. Na ocasião, um agricultor invadiu a escola com uma espingarda e feriu sete estudantes. O crime teve pouca repercussão e guarda poucas semelhanças com a maioria dos ataques posteriores. De 2001 a junho de 2024, pelo menos mais 36 ocorrências foram contabilizadas, com um aumento expressivo deste quantitativo a partir do ano de 2021. Somente entre 2021 e 2023, aconteceram 16 ataques.

Dez anos após o ocorrido em Macaúbas/BA, um evento marcou um ponto de virada significativo na dinâmica dos ataques de violência extrema em escolas brasileiras: em 07 de abril de 2011, teve lugar o que ficou conhecido como o “massacre de Realengo”. Um ex-aluno entrou armado na Escola Municipal Tasso da Silveira e matou 12 adolescentes entre 12 e 15 anos, em sua maioria meninas. O atirador feriu ainda 22 estudantes antes de se suicidar (IPEA, 2020).

Este trágico incidente crítico trouxe à tona a vulnerabilidade das escolas brasileiras e expôs a necessidade urgente de discutir e implementar medidas de segurança escolar.

Esses incidentes têm sido profundamente traumáticos para as comunidades afetadas e têm desencadeado debates nacionais sobre como proteger melhor os ambientes de ensino (SILVA, 2010). Em âmbito social, pode-se considerar que a escola é um ambiente específico onde as pessoas convivem diariamente por várias horas, trabalhando, estudando e interagindo. Esse ambiente é composto por um grupo social diversificado e complementar, incluindo professores, gestores, funcionários, estudantes e suas famílias, formando um território e uma comunidade. Nesse sentido, a escola está intimamente ligada à identidade e ao sentimento de pertencimento. Isso a diferencia de um local, onde as pessoas se reúnem esporadicamente, sem a convivência diária e contínua (CHARLOT, 2002).

As particularidades do contexto escolar fazem com que os impactos negativos da violência sejam amplificados. Os efeitos são sentidos não apenas pelas vítimas diretas e suas famílias, mas também por todos os sobreviventes, a equipe escolar e a comunidade ao redor. Esse tipo de violência resulta em uma maior incidência de traumas individuais e coletivos, doenças, risco de novas violências, aumento significativo de transtornos mentais, maior consumo de álcool e drogas, abandono escolar, afastamento do trabalho, separações familiares, dentre outros problemas.

A ocorrência de violência extrema em um local considerado seguro, como a escola, onde as famílias confiam na segurança de seus filhos, causa uma intensa comoção e abala profundamente a comunidade. Dados enfatizam que a escolha da escola como alvo da violência não é acidental, ela desempenha um papel crucial na motivação e dinâmica desses ataques, pois, as escolas podem e são locais significativos que compõem o processo identitário (SILVA, 2010).

Embora ataques violentos em escolas não sejam tão comuns no Brasil, suas consequências são extremamente graves. A natureza desses incidentes é complexa, com múltiplos fatores interligados que são difíceis de identificar e estudar separadamente, o que dificulta a formulação de teorias ou modelos precisos (VINHA et al., 2023). Além disso, a pouca abrangência desses eventos e o acesso limitado às informações tornam os dados insuficientes para análises aprofundadas (VINHA et al., 2023).

Fatores Contribuintes

Para o Relatório Anual de Violência Escolar (2022), no Brasil, o aumento expressivo e acelerado dessas ocorrências é ainda mais alarmante. Diversos fatores têm sido apontados como contribuintes para a crescente violência nas escolas:

Saúde Mental: Muitos dos perpetradores desses ataques sofrem de problemas de saúde mental que frequentemente não são diagnosticados ou tratados adequadamente. A falta de diagnóstico e tratamento eficazes é exacerbada pelo estigma associado ao sofrimento psicológico, que desencoraja indivíduos e famílias a procurarem ajuda.

Bullying e Exclusão Social: O bullying e a exclusão social dentro do ambiente escolar são fatores significativos que podem desencadear comportamentos violentos. Jovens que são constantemente marginalizados, ridicularizados ou isolados por seus colegas podem desenvolver sentimentos de raiva, ressentimento e desespero. Esses sentimentos podem, em casos extremos, levar à violência como uma forma de retaliação ou tentativa de se afirmar perante os outros.

Influência de conteúdos violentos: O fácil acesso a conteúdo violento na internet tem sido amplamente apontado como um fator que pode dessensibilizar os jovens à violência. A exposição contínua a cenas de violência explícita pode tornar os jovens menos sensíveis ao sofrimento alheio e normalizar comportamentos agressivos. Em casos extremos, esses conteúdos podem servir de inspiração para a execução de atos violentos, especialmente quando combinados com outros fatores de risco, como problemas de saúde mental e experiências de bullying.

Acesso a armas: A relativa facilidade de acesso a armas de fogo, tanto de forma legal quanto ilegal, é um fator que facilita a execução de ataques letais. No Brasil, apesar das leis que regulamentam a posse e o porte de armas, o mercado ilegal de armas é vasto e relativamente acessível. Isso significa que indivíduos com intenção de cometer atos violentos podem adquirir armas com relativa facilidade, aumentando a letalidade dos ataques. A presença de armas em casa também aumenta o risco de que jovens em situação de crise ou desespero tenham acesso a meios letais para perpetrar atos de violência.

De certo, estes elementos não são exaustivos, havendo outros fatores contribuintes ou de risco para a ocorrência de um ataque de violência extrema em ambiente escolar. No entanto, tais fatores, quando combinados, criam um ambiente perigoso que pode levar a atos de violência extrema nas escolas (ABRAMOVAY. 2012; CHARLOT, 2002). A compreensão e o enfrentamento dessa complexa teia de influências exigem abordagens integradas e multifacetadas, que envolvam a promoção da saúde mental, a criação de ambientes escolares seguros e inclusivos, o controle rigoroso do acesso a armas e a redução da exposição a conteúdos violentos.

Resposta Comunitária e Governamental à violência extrema nas escolas

A resposta da comunidade desempenha um papel crucial na prevenção e no enfrentamento da violência extrema nas escolas. A participação ativa de pais e responsáveis, professores, estudantes, profissionais da educação e membros da comunidade local é essencial para identificar e abordar precocemente os sinais de conflito e violência. Programas de envolvimento comunitário, como conselhos escolares e grupos de apoio, podem promover a colaboração entre diferentes partes interessadas e fortalecer os laços dentro da comunidade escolar.

A criação de parcerias estratégicas entre a escola, organizações civis e governamentais é fundamental em muitos aspectos, pois fomenta, dentre outros:

Quando a comunidade é convidada a participar ativa e democraticamente da vida da escola, ela compreende que é bem-vinda, que seu saber e opiniões são valorizados e que aquele espaço também é seu lugar;

Fazer parte da vida escolar implica em ser também responsável pela manutenção de um espaço íntegro, seja do ponto de vista do espaço físico, seja do ambiente de aprendizagem. Quando se fala da escola como um lugar seguro, se fala de responsabilidades que não podem ser delegadas e que são próprias de cada esfera (familiar, escolar, comunitária, dos sistemas de saúde, segurança e legal, por exemplo);

A participação de diversos atores, com diferentes olhares sobre uma mesma realidade propicia o surgimento de respostas únicas para questões locais, uma vez que cada território possui características únicas, bem como recursos e desafios próprios;

É muito importante que a comunidade escolar se perceba como capaz de gerir suas próprias questões, uma vez que as soluções engendradas de “dentro para fora”, em geral, tem maior chance de sucesso, pois foi criada e pactuada pelo grupo;

Diante da complexidade do problema da violência extrema na escola, é necessário que toda a rede esteja comprometida. Muitas vezes, há demandas que só poderão ser atendidas pelos sistemas de saúde, segurança, legal, assistencial, etc.

O clima escolar desempenha um papel crucial na redução da violência nas escolas. Ele compreende a qualidade e o caráter da vida escolar, incluindo as normas, valores, expectativas, práticas, relacionamentos e estruturas organizacionais que definem a experiência educativa e social na comunidade escolar. Do mesmo modo, a convivência democrática é valor inafastável de qualquer iniciativa, governamental ou civil, que vise a construção de comunidades escolares baseadas no respeito mútuo e na resolução de conflitos pela via da negociação.

Outro fator vital para o combate da violência extrema nas escolas é o protagonismo estudantil. Além de contribuírem com ideias inovadoras e de promover a cultura do respeito entre colegas na sua própria linguagem, os estudantes conhecem a sua realidade de uma forma inacessível para os adultos, sendo os primeiros a identificar possíveis riscos e a prover cuidado entre pares.

Em conjunto com as iniciativas comunitárias, o Poder Público precisa se fazer presente. Um ataque de violência extrema em uma instituição de ensino mobiliza o Poder Público em todas as suas esferas: municipal, estadual e federal.

Diante desse contexto, o Presidente da República sancionou a Lei nº 14.643, em 2 de agosto de 2023, que autoriza o Poder Executivo a implantar serviço de monitoramento de ocorrências de violência escolar.

Em articulação com os Estados, os Municípios e o Distrito Federal, fica o Poder executivo autorizado a implantar o Sistema Nacional de Acompanhamento e Combate à Violência nas Escolas (SNAVE), cuja atuação alcança, incluindo, mas não se limitando à Prestação de Apoio Psicossocial a membros da comunidade escolar vítimas de violência nas dependências do estabelecimento de ensino ou no seu entorno. O referido Apoio Psicossocial deverá ser prestado de acordo com a Política Nacional de Atenção Psicossocial nas Comunidades Escolares.

A Lei nº 14.819, de 16 de janeiro de 2024, institui a Política Nacional de Atenção Psicossocial nas Comunidades Escolares, visando integrar de forma contínua as áreas de educação, assistência social e saúde. Seus principais objetivos incluem promover a saúde mental da comunidade escolar, garantir acesso à atenção psicossocial para todos os integrantes da escola, como alunos, professores, profissionais da educação e pais/responsáveis, e promover a formação continuada de gestores e profissionais nessas áreas no tema da saúde mental. As diretrizes estabelecidas pela lei enfatizam a participação ativa da comunidade escolar e a integração com equipes de saúde e serviços sociais do território, fortalecendo a abordagem preventiva e de promoção de saúde mental nas escolas.

Posteriormente, o Decreto nº 12.006, de 24 de abril de 2024, institui o Sistema Nacional de Acompanhamento e Combate à Violência nas Escolas (SNAVE) e regulamenta a Lei nº 14.643/2023. Este decreto complementa a Lei nº 14.819 ao estabelecer ações específicas para prevenir e combater a violência nas escolas brasileiras, incluindo a capacitação de profissionais da educação para responder a emergências e a sistematização de boas práticas nesse contexto. Ao integrar a abordagem da saúde mental com a segurança escolar, o SNAVE fortalece as estratégias de proteção da comunidade escolar, abrangendo desde a prevenção de conflitos até a resposta eficaz a situações de violência. Ambas as legislações representam esforços significativos para melhorar o ambiente escolar e garantir o bem-estar integral dos estudantes e profissionais da educação no Brasil.

Em suma, não podemos esperar soluções simplistas para um fenômeno tão complexo como a violência extrema em instituições de ensino. A prevenção de novos ataques, a resposta a eventos consumados e a reconstrução das comunidades afetadas requer uma ação abrangente, intersetorial, coordenada e baseada em evidências.

Referências bibliográficas

ABRAMOVAY, M. Violências nas Escolas. Brasília: UNESCO, 2002.

ABRAMOVAY, M. Bullying Escolar: Perguntas e Respostas. Brasília: UNESCO, 2012.

BRASIL. Decreto nº 12.006, de 24 de janeiro de 2024. Regulamenta o artigo 2º da Lei nº 14.643, de 30 de maio de 2023. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2024/decreto/D12006.htm#:~:text=DECRETO%20N%C2%BA%2012.006%2C%20DE%2024,2%20de%20agosto%20de%202023. Acesso em: 5 jul. 2024.

BRASIL. Lei nº 14.643, de 30 de maio de 2023. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2023/lei/l14643.htm. Acesso em: 5 jul. 2024.

CHARLOT, B. A violência nas escolas: uma abordagem sociológica. São Paulo: Papirus, 2002.

CHARLOT, B. A violência nas escolas: uma abordagem sociológica. São Paulo: Papirus, 2002.

GRAMPA, V. H. In: BRASIL. Ministério da Educação. Relatório do grupo de trabalho sobre ataques a escolas no Brasil, 2023. Disponível em: https://www.gov.br/mec/pt-br/acesso-a-informacao/participacao-social/grupos-de-trabalho/prevencao-e-enfrentamento-da-violencia-nas-escolas/resultados/relatorio-ataque-escolas-brasil.pdf. Acesso em: 5 jul. 2024.

NOGUEIRA, C. G. A. Violência escolar: subsídios para a prevenção e intervenção. Curitiba: Appris, 2014.

OBSERVATÓRIO DE VIOLÊNCIA NAS ESCOLAS. Relatório Anual de Violência Escolar. São Paulo: Universidade de São Paulo (USP), 2022. Disponível em: http://www.observatoriodeviolenciaescolar.org.br. Acesso em: 25 maio 2024.

SILVA, M. P de C. Escolas e Violência: Análise da Realidade Brasileira. São Paulo: Cortez, 2010.

IPEA. Atlas da Violência 2020. Brasília: IPEA, 2020. Disponível em: https://www.ipea.gov.br/atlasviolencia/. Acesso em: 23 maio 2024.

UNESCO. School Violence and Bullying: Global Status Report. Paris: UNESCO, 2017. Disponível em: https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000246970. Acesso em: 25 maio 2024.

 

Vídeo mostra menino que morreu após ser agredido em escola chorando em casa: 'quando respiro, dói'

Carlos Teixeira morreu aos 13 anos, após sofrer três paradas cardiorrespiratórias na Santa Casa de Santos (SP). Pai diz que menino sofria bullying de colegas em Praia Grande (SP).


Imagens obtidas pelo g1 nesta quinta-feira (13) mostram o estudante Carlos Teixeira, de 13 anos, que morreu uma semana após colegas pularem sobre as costas dele em uma escola, contando aos pais sobre a agressão. No vídeo, o menino aparece chorando e dizendo que sente dores nas costas ao respirar. O caso aconteceu em Praia Grande, no litoral de São Paulo.

Dor e choro

  • "Carlinhos, quem foi?", perguntou o pai.
  • "O [nome do colega]", respondeu o menino.
  • "Que série?", questionou o pai.
  • O menino respondeu.
  • "Ele pulou em cima de tu?", indagou o pai.
  • "É", disse o adolescente.
  • "Te machucou e está com falta de ar?", retrucou o pai.
  • "Eu estou. Quando eu respiro, dói as costas", choramingou o menino.
  • "E tu nem estava brincando com ele?", perguntou o pai.
  • "Não", finalizou o menino.

Professora agredida em SC pede que país 'volte a valorizar a educação'

A professora Marcia Friggi, 51, pediu nesta terça-feira (22/08/2017) que o país "volte a valorizar a educação" e que alunos e pais de alunos "voltem a respeitar os professores".
"Precisamos voltar a valorizar a educação e a cultura. Precisamos voltar a respeitar os pais, os professores, os mais velhos. O Brasil está esquecendo disso", disse à Folha de S.Paulo.

Na segunda-feira (21/08/2017), ela foi agredida a socos por um aluno de 15 anos dentro da escola em que trabalha, em Indaial (145 km de Florianópolis).

A professora publicou na internet fotos em que aparece com corte na testa e com hematoma no olho direito, e desde então vem sendo tratada nas redes sociais como uma espécie de "símbolo do descaso com a educação".

"Infelizmente, isso [agressão] não ocorre só comigo. Vários professores passam por esse problema diariamente. Isso [violência] precisa ser mudado. Nosso país só vai conseguir melhorar se melhorar a educação".

Friggi disse que ainda não consegue abrir o olho direito. "Não estou bem nem fisicamente, nem emocionalmente", afirmou ela, que está no magistério há 12 anos e "nunca havia passado por uma situação dessas".

A professora ficará sete dias em casa, de atestado. Nesta terça (22/08/2017), Marcia voltou a publicar na internet fotos dos ferimentos no rosto. Ela usou a imagem para criticar a educação no país.
"É esta a face do teu magistério. São estes os olhos da tua educação. Brasil, volte a olhar para nós, professores", escreveu.

A professora afirmou que o comportamento do aluno "é reflexo da falta de respeito que ocorre em toda a sociedade" e que "na sala de aula isso vem à tona".

Marcia disse que recebeu milhares de mensagens de carinho, mas que também vem recebendo "manifestações de ódio".

Ela afirmou que não tem expectativas sobre o que vai acontecer com o aluno. "A minha parte eu fiz. Não me acovardei. Procurei a polícia, fiz corpo de delito. Agora não é mais comigo.

Aluno espanca professora após ser punido por explodir um mictório


Reprodução


Mais uma história triste para a conta do Brasil, a pátria educadora. No país que fiz focar seus investimentos na educação dos jovens, a professora Carla Valéria de Oliveira, 41 anos, que leciona em Aracaju, no Sergipe, é a prova de que as coisas vão mal. Ela foi espancada por um de seus alunos, de apenas 16 anos.

O caso começou quando um grupo de alunos estourou um mictório com bombas de festa junina. A escola apurou para descobrir quem eram os autores do vandalismo e, entre eles, estava o adolescente acusado de agressão. Carla, que também é diretora na Escola Estadual Senador Lourival Fontes, então, foi alvo do aluno enfurecido com a punição que receberia.

“Ele [aluno] ficou sabendo que ia ser expulso. Então veio cantando uma música violenta, Falou eu saio, mas eu lhe mato. Partiu para cima. Deu o primeiro murro e eu caí. E me socou, vários murros. A cabeça batia muito na parede e eu só conseguia gritar pedindo socorro. Uma colega passou por ele depois e ele disse: a diretora está morta. Essa era a vontade dele. Dá medo ser professor hoje em dia”, relatou Carla a uma rádio local.

Carla, agora, desistiu de sua escola. Assustada e com medo de que a cena se repita, ela pediu transferência. Como alerta, avisa que o grande problema do colégio é o consumo de drogas internamente, que ela tentou combater em vão. O aluno que a agrediu, segundo ela, já havia sido alvo de diversas conversas, inclusive com sua família, sobre comportamento inadequado.[Fonte: Yahoo]

PM assume escola tomada por violência e a transforma em modelo


Foto: Reprodução/O Globo


As diferenças começaram nos muros. Antes inteiros pichados, agora dão espaço ao branco, ao azul e só. E não foram só as paredes que mudaram na Escola Estadual Professor Waldocke Fricke de Lyra, em Manaus. Depois que passou para as mãos da Polícia Militar, virou 3º Colégio Militar da PM Waldocke Fricke de Lyra e, junto disso, viu sua rotina mudar drasticamente. O desempenho dos alunos também mudou — e para melhor.

São 2 mil alunos dos ensinos fundamental e médio que passaram para as mãos da PM local em 2012, a pedido do governo estadual. O colégio fica em uma das regiões mais violentas de Manaus e registrava furtos, banheiros quebrados, brigas no pátio e trânsito livre de armas brancas. Os policiais mudaram isso com rotina rígida e uma gestão linha dura. 

Para entrar, farda e horário rígido. para sair, só após a realização de todas as tarefas. Celular? A ordem é que ele fique sem bateria até a saída do colégio. Tudo isso sob a batuta do coronel aposentado Rudnei Caldas, que afirma ter encontrado resistência dos professores no início da implantação do novo sistema. Mesmo assim, ele não desistiu e manteve o que julgava melhor para a escola. Três anos depois, os alunos já estão completamente dentro da rotina extremamente rígida.

Quando passam, por exemplo, pelos policiais armados que atuam como inspetores, endireitam a coluna e batem continência. Dentro das salas de aulas, gritos de guerra são ouvidos antes das jornadas e distintivos de patentes são distribuídos para os donos das melhores notas. Uma indisciplina até é aceita, mas se reiterada, leva à expulsão. Em 2015, até maio, foram cinco alunos expulsos, média de um por mês — todos por não se adequarem à política do colégio. Os professores antigos, resistentes ao novo sistema, foram quase todos mandados embora e substituídos.

E as mudanças não são visíveis apenas na estrutura física do colégio e nas normas extremamente rígidas. De 2011 para 2013, a escola deu um salto no Ideb. O ensino fundamental passou de média 3,3 para 6,1. No ensino médio o salto foi de 3,1 para 5,8. Os novos coordenadores do colégio ainda se orgulham em afirmar que o índice de reprovação, de 15,2% em 2012, foi zerado em 2014. Alguns alunos ainda apareceram, de maneira inédita, entre os primeiros colocados nas Olimpíadas de Matemática das Escolas Públicas.

Quem também se adaptou às regras novas foram os professores. Uma das poucas remanescentes da administração antiga, Maria do Rosário de Almeida Braga, de 54 anos, afirmou ao jornal O Globo que não só os alunos têm exigências vindas da diretoria: os professores também. E, por isso, acredita ela, a imagem da escola e, principalmente, os desempenhos dos alunos, mudaram tanto nos últimos anos, tornando a escola modelo para o estado. [Fonte: Yahoo]

'Pais não educam', diz professor que sobreviveu a cinco tiros de aluno insatisfeito com nota

A carreira do professor de Biologia sergipano Carlos Christian Gomes, de 33 anos, foi interrompida por um episódio trágico em agosto de 2014. Insatisfeito com a nota de uma prova, um aluno, de 17 anos, disparou cinco tiros contra o professor.
"Não consigo entender como, por um motivo tão fútil, ele tentou tirar minha vida", disse à BBC Brasil.
Christian, que também é biomédico, lecionava em uma escola da rede estadual na grande Aracaju, em Sergipe. Uma semana após o incidente, o aluno se entregou à polícia e confessou o crime. Ele foi condenado e deve cumprir pena máxima de três anos em uma unidade de correção de menores. O professor está paraplégico e recebe tratamento para superar o trauma físico e psicológico.
Apesar de ter sido vítima de agressão pela primeira vez – em dez anos como professor da rede estadual de ensino –, Christian diz que ameaças verbais a professores são comuns e afirma que a falta de participação dos pais contribui para violência nas escolas.
"Muitos pais dizem que trabalham o dia todo e deixam a responsabilidade de educar pra a gente. Mas, se os pais não educaram, não vou conseguir educar em um semestre", disse.
"Um exemplo típico é um pai ou mãe não orientar seus filhos a estudar para as provas e fazer suas tarefas de casa. Quando chegam à escola, eles são cobrados e não aceitam essa cobrança porque, em casa, onde deveria ser educado, ele não cumpre suas obrigações."
A violência contra os professores foi tema de uma série de reportagens da BBC Brasil em preparação para as eleições de 2014. O caso do professor foi destacado por leitores em nossas páginas de redes sociais como um símbolo do problema.
O tema ficou ausente dos debates entre candidatos aos governos estaduais e à Presidência, mas casos como o de Christian continuaram surgindo no noticiário. Na semana passada, a diretora de uma escola pública em Belo Horizonte foi agredida por um aluno de 16 anos com uma barra de ferro.
Há cerca de um mês, outra diretora, dessa vez de uma escola em São Paulo, teve de se afastar do trabalho após ter sido agredida pelo pai de um aluno, que a deixou com hematomas no braço.
Longe da sala de aula
Em dezembro, cerca de três meses depois do incidente que deixou Christian paraplégico, outro aluno entrou armado no mesmo colégio, a Escola Estadual Professora Olga Barreto, em São Cristóvão, na grande Aracaju.
De acordo com a mídia local, o aluno ameaçou um colega de morte, mas deixou a escola antes que a polícia chegasse.
"Quando o caso passou na televisão aqui em casa, eu comecei a tremer e a chorar. Nunca fui assim, nunca fui tão emotivo", contou.
Após 78 dias no hospital – 38 deles na UTI –, ele diz que se considera bem de saúde, apesar da lesão na medula que o deixou sem movimentos do peito para baixo. Christian faz fisioterapia três vezes por semana, mas precisa de ajuda para realizar atividades básicas.
Apesar de torcer por uma recuperação rápida, no entanto, ele diz não pensar em voltar às salas de aula do Ensino Médio.
"Me sinto inseguro em ficar de costas em uma sala de aula. Confiar no inesperado pra mim é desesperador", disse.
"Me interessei pela profissão porque sempre gostei de passar conhecimento para as pessoas. Ainda quero fazer isso, mas de outra forma. Quem sabe no curso superior", disse Christian, que vem de uma família de professores.
Ameaças constantes
Carlos Christian e sua família | Foto: Arquivo pessoal
Após acidente, professor se diz preocupado com a segurança dos familiares que também ensinam na rede pública
Christian diz que professores convivem diariamente na rede pública com ameaças de agressão feitas por alunos, especialmente em bairros mais violentos.
"Ameaças verbais e ousadia dos alunos acontecem em todo lugar, até em colégio particular. Mas, nas escolas particulares, não acontecem ameaças de morte. Nos colégios do Estado, isso é comum. (As ameaças são) de alunos para professores e funcionários ou entre dois alunos."
O professor, no entanto, disse nunca ter tido problemas até aquele momento – nem com o rapaz que tentaria matá-lo. "Às vezes, um ou outro aluno queria chamar a atenção enfrentando os professores, mas nunca cheguei a me sentir ameaçado, achando que era apenas coisa de adolescente."
Hoje, no entanto, a sensação é outra. "Minha mãe, que era professora, já se aposentou, mas penso em minha irmã e meus primos, que ainda estão ensinando nas escolas públicas".
Desvalorização
A "desvalorização" da profissão por parte do poder público impede "a criação de uma estrutura de segurança para a profissão", afirma o professor.
"Boa parte das escolas públicas do Estado de Sergipe, onde leciono, não tem estrutura física. São muros quebrados ou caindo, portões quebrados, salas de aula sem portas. Isso já gera uma total falta de segurança para professores e alunos."
"No dia da tentativa de assassinato contra minha pessoa, o aluno armado entrou e saiu pela porta da frente da escola sem nenhum impedimento”, afirma. "Acho que o Estado poderia colocar vigias e dar estrutura física para as escolas. E para os alunos, acompanhamento diário de psicopedagogos."
Após o ataque a Christian, a Secretaria de Educação anunciou uma comissão permanente de acompanhamento da violência nas escolas, formada pela Secretaria de Educação, professores, pais, funcionários não docentes e estudantes.
Desde então, segundo o diretor do Departamento de Educação da secretaria, Manuel Prado, foram realizados encontros de formação e orientação com diretores de escolas, com professores e com alunos. Ele afirma também que a secretaria visitou 20 escolas em todo o Estado que apresentaram maiores índices de violência.
Christian, por sua vez, também defende a redução da maioridade penal para 16 anos e pede que "escolas abertas" sejam implantadas em rede estadual.
"Seria importante que a escola tivesse mais abertura para a comunidade, fazendo mais reuniões com os pais durante a semana, permitindo que as pessoas pratiquem esportes nos fins de semana. Atualmente, não tem tanta abertura." [Fonte: BBC Brasil]

Menina de 11 anos afirma ter sido abusada sexualmente dentro da escola


Uma menina de 11 anos acusou sete colegas de classe de terem abusado sexualmente dela durante uma aula na escola Plínio Ayrosa, na zona norte de São Paulo, de acordo com reportagem feita pelo canal SBT. Assista à matéria clicando aqui.

De acordo com o depoimento da criança, cinco meninos e duas meninas a fizeram sentar em uma cadeira no fundo da sala, desabotoaram seu sutiã e passaram as mãos em seus seios. Ainda segundo ela, o professor a ameaçou afirmando que ela iria "apanhar caso contasse para alguém".

Em entrevista, a mãe da menina, que não se identifica para manter a segurança da família, afirmou que esse não foi o primeiro caso do tipo na escola e que a diretoria trata o abuso relatado apenas como "brincadeira entre colegas". 

Uma reunião pedagógica aconteceu na escola na última segunda-feira (31/09/13), mas até o momento nenhuma autoridade se manifestou sobre o assunto. [Fonte: Yahoo]

RN: adolescente tenta matar professora mas acerta tiro no próprio pé

Uma adolescente de 15 anos ameaçou uma professora com uma arma calibre .38 na sexta-feira, em Natal. Segundo a Inter TV Cabugi, a menor disse à polícia, em depoimento ainda ontem, que conseguiu a arma com outro garoto de menos de 18 anos.
Segundo a professora de matemática que foi ameaçada, na quinta-feira ela e a aluna se desentenderam. "Ela já entrou (na sala) com a intenção de me provocar. Me chamou de nojenta, eu disse que ela saísse da sala, ela disse que não ia sair, eu falei que ia chamar a direção", relatou à TV local.
No dia seguinte, quando a professora de 51 anos entrou na sala do 6° ano da escola Belém Câmara, no bairro Cidade da Esperança, a menina já esperava por ela e apontou a arma, dizendo "eu vou matar você agora", segundo a docente. Assustada, a professora saiu correndo, e a menina tentou ir atrás dela, mas foi detida por um guarda patrimonial.
Nesse momento, a arma disparou e atingiu o pé direito da adolescente, que precisou ser levada ao hospital. De tarde, ela foi detida, prestou depoimento e foi liberada. Segundo o delegado Pedro Paulo Falcão, da Delegacia de Plantão da Zona Sul, ela vai ser será autuada e "responder pelo crime análogo de posse ilegal de armas e ameaça".
À polícia, a garota afirmou que não pretendia atirar na professora, mas foram encontradas balas e cartuchos vazios na mochila escolar. A docente, por outro lado, disse à reportagem da TV local que "os comentários eram de que ela (a menor) tinha dito que matava e depois ia se matar".
A professora admitiu que a jovem tirava notas boas e que não era má aluna. "Essa menina só pode estar com algum problema, porque era uma menina que não tinha problemas", disse.
Segundo a polícia, os responsáveis pela menor serão ouvidos durante a semana.

SP: aluna bate em colega em aula, e professor assiste agressão


Duas alunas de 16 anos de uma escola estadual de Paulínia, no interior de São Paulo, brigaram dentro da sala de aula na manhã de quarta-feira. Um vídeo gravado na escola mostra uma das estudantes dando socos, tapas e chutes na colega, enquanto um professor assistia à cena sem tomar nenhuma iniciativa.
A Secretaria da Educação informou, por meio de nota, que as duas alunas foram suspensas das aulas e que o Conselho Tutelar foi acionado para verificar outras medidas disciplinares que podem ser adotadas. Segundo o conselho, diversos casos de violência e de agressão, inclusive contra professores, já foram registrados na escola.
Durante a briga, uma das meninas empurra a colega no chão e a atinge com socos e chutes. Um professor, que não foi identificado pela secretaria, aparece, mas não impede a agressão. A Diretoria Regional de Ensino de Sumaré, que atende o município de Paulínia, disse que vai averiguar a conduta do docente e, caso seja comprovada a omissão, tomará as providências necessárias.
A secretaria disse ainda que, assim que tomou conhecimento do fato, a direção da escola convocou os responsáveis pelas alunas para uma reunião. O Terra entrou em contato com a escola, mas os funcionários disseram que não estavam autorizados a passar informações sobre o caso. [Fonte: Terra]

Professor é baleado por aluno dentro de sala de aula em Sergipe


O professor Edilson Oliveira Silva foi baleado dentro de uma das salas de aula do Colégio Estadual Augusto Ferraz, no bairro Industrial, zona norte de Aracaju (SE), na noite de segunda-feira. Ele fazia a chamada quando dois alunos discutiram e um deles atirou no outro, mas o disparo acabou acertando o professor.
A vítima foi atingida no abdômen e levada para o Hospital de Urgência de Sergipe, onde passa na manhã de hoje por uma cirurgia para a retirada da bala, . “Eu tinha acabado de chegar quando ouvi os tiros. De repente, vi os dois alunos saíram correndo e os demais pedindo socorro, foi quando prestei os primeiros socorros”, relatou o professor João Freitas Júnior. 
De acordo com a diretora da unidade de ensino, Kátia Santos, os dois alunos são adolescentes - 15 e 16 anos – e não possuíam histórico de violência no colégio. “A escola irá colaborar com a polícia e oferecer toda a assistência social e psicológica aos alunos e as famílias.“Eles são alunos da casa e nós daremos todo o apoio social e psicológico que eles necessitarem, inclusive para as famílias, que estão muito abaladas, e para os demais alunos da escola", garantiu a diretora.[Fonte: Terra]
Nota do editor do blog: quem realmente precisa de apoio psicológico são os professores!